maio 01, 2019

Enquanto estive fora

Eu me perdi, mas não foi como da vez em que me perdi dos meus pais no supermercado quando eu era criança, nem quando me perdi dos meus amigos na festa, ou até mesmo quando embarquei no ônibus errado. Não foi assim. Na verdade eu me perdi em mim. A princípio, perder-se no supermercado quando criança parece muito mais assustador, você se sente bobo e abandonado, olhando para os lados desesperadamente tentando parecer tranquilo e não-perdido, enquanto você engole o choro infantil.

Perder-se em si mesmo é muito tênue, quase imperceptível, mal se sabe que está perdido; você continua vivendo todos os dias habitualmente — você sabe o caminho até a sua casa e como chegar nela, e você sabe exatamente em que lugar está. Perder-se em si trata-se de não se conhecer mais, desaprender como é viver sozinho, é apoiar-se em coisas em pessoas para suportar o fato de que não consegue ter a sua própria companhia. Quando me dei conta de que estava perdida, enlouqueci. No ápice de minha insanidade mental, tive o insight mais louco de minha vida. Meu enlouquecimento durou cinco minutos.

Acordei no outro dia triunfante e inspirada e fiz uma bela limpeza no meu quarto. Joguei lixo fora e todas as coisas que não me eram úteis, desprendi-me de outras que possuíam valor sentimental que já não fazia mais sentido para mim. Coloquei para doação roupas que não usava há muito tempo e, por fim, separei os pertences da pessoa que agora não pertence mais a minha vida.

janeiro 12, 2019

Sobre deletar o instagram

[stories antigos]
   

Às vezes eu tenho desses pequenos surtos de querer deletar tudo, mas dessa vez foi um pouco diferente. Percebi que eu estava passando muito tempo vendo vídeos fofos de gatinhos e tutoriais de maquiagens as quais nunca vou fazer. Perdia horas vendo e curtindo a vida de gente que na verdade não me interessa nem um pouco. Eu estava passando em média quase 2h por dia nessa rede social.

Gerenciei o tempo nas Configurações para que o Instagram me avisasse quando eu passasse 40 min dentro do aplicativo, e fiquei surpresa todas as vezes que recebi o aviso! Para mim, tinha passado apenas alguns minutos, porque 40 minutos parece pouco quando você vai rolando o dedinho na tela vendo coisas aleatórias que não te acrescentam em (quase) nada.

É claro que o insta não é de todo o mal — tem muito conteúdo bom, gente legal, perfis interessantes e fotos artísticas, mas para mim o problema é que eu nunca publicava nada, porque não gosto de mostrar nas redes sociais o que estou fazendo. E a minha autoestima não me deixava postar fotos minhas. Em suma, eu estava usando o aplicativo apenas para "espiar" a vida das pessoas e me engraçar com gatos.

Então eu desapeguei. Deletei sem dó. A vida parece mais leve quando a gente se desprende de coisas que não estão mais fazendo bem pra gente. Essa foi a primeira de muitas coisas que ainda pretendo desapegar em 2019. Estou bastante contente com minha decisão e em poder compartilhá-la aqui.

Talvez eu baixe o Instagram de novo quando eu decidir perder o medo e a vergonha de dar as caras. Por ora, pretendo administrar melhor o meu tempo e gastar essas duas horinhas que estava passando na frente do celular para fazer outras coisas, como ler e desenhar. 😊😁